Wall Street no vermelho: índices de Nova York tombam mais de 2% com novo ‘efeito Trump’

O anúncio das tarifas de importação pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aumentou a aversão ao risco dos investidores e Wall Street opera em forte queda nesta quinta-feira (3). Em destaque, o índice S&P 500 caminha para a pior queda em dois anos.

Confira a abertura dos índices de Nova York: 

  • Dow Jones: -2,75%, aos 41.062,39 pontos;
  • S&P 500: -3,33%, aos 5.481,96 pontos;
  • Nasdaq: -4,42%, aos 16.822,36 pontos.

Ontem (2), os mercados norte-americanos encerraram a sessão em leve alta, ainda na expectativa pelo plano tarifário. Minutos após o fechamento do pregão, Trump anunciou que o país adotará uma tarifa universal de 10% sobre todas as importações com tarifas recíprocas adicionais a alguns países — que podem chegar a 49%.

Em reação, o índice Dow Jones perdeu mais de 1.000 pontos no after markets; S&P 500 caiu cerca de 2% e Nasdaq registrou um tombo de quase 5%.

O que derruba Wall Street hoje?

As bolsas de Nova York iniciaram a sessão com queda de mais de 2% em reação ao ‘tarifaço’ de Trump — o que elevou os riscos de uma guerra comercial global, em meio a desaceleração da economia dos EUA, na visão dos analistas.

No plano tarifário, Trump estabeleceu uma alíquota-base de 10% para todos os países que são parceiros comerciais, que entra em vigor em 5 de abril. Já as tarifas recíprocas serão aplicadas a partir de 9 de abril. Hoje (3), as taxas de 25% sobre a importação de automóveis já entraram em vigor.

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Na avaliação do BTG Pactual, as tarifas devem elevar o núcleo (preços sem alimentos e combustíveis) do Índice de Preços de Gastos com Consumo (PCE, na sigla em inglês), que é a principal referência de inflação para o Federal Reserve (Fed). A medida também pode reduzir o crescimento dos EUA projetado de 2,1% para 1,5% neste ano.

Dado os possíveis impactos, o BTG Pactual reduziu o preço-alvo para o S&P 500 de 6.500 para 5.800 pontos. “As novas tarifas devem pressionar a atividade econômica e a lucratividade das empresas, o que nos levou a reduzir nossa premissa de ROE (retorno sobre o patrimônio; rentabilidade) em 50 pontos-base”, escreveram os analistas Vitor Melo, Luis Mollo e Marcel Zambello em relatório.

“A maior incerteza em relação à política comercial e às cadeias globais de suprimento justifica um aumento de 25 pontos-base no nosso prêmio de risco de ações, de 4,5% para 4,75%”, acrescentaram.

Vale lembrar que medo de desaceleração da economia norte-americana, acompanhada de uma stagflation – cenário em que a redução ou estagnação de crescimento econômico está atrelado a aumentos de preços ou a uma inflação acima da esperada pelo Fed – aumentou nas últimas semanas, com dados de atividade mais fracos do que o esperado e expectativa da imposição de tarifas de importação a vários países.

Nesta semana, o Goldman Sachs elevou a probabilidade de recessão dos EUA em 12 meses de 20% para 35%

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O mercado também reagea novos dados do mercado de trabalho, ainda que em segundo plano.

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