Claraboia com filtro UV, resgate de pinturas e reconstrução de Luzia: os desafios da recuperação do Museu Nacional


Entrada da instituição deve ser entregue no dia 5 de junho, mas a maior parte das reinaugurações deve acontecer no ano que vem. Conheça interior das obras do Museu Nacional
A recuperação do Museu Nacional, destruído por um incêndio em 2018, está sendo realizada em etapas e em diferentes frentes. De acordo com Wallace Caldas, arquiteto responsável pela gestão da obra, a entrega do trecho que inclui a entrada do prédio histórico, prevista para esse ano, está entre as partes mais complexas do projeto.
“O grande desafio foi a instalação dessa claraboia gigantesca na área do pátio da escadaria. É uma claraboia quase que horizontal com vidros de alta espessura e muita estrutura metálica. Esses vidros são dotados de filtro UV para diminuir o impacto no acervo que vai ser instalado embaixo”, explicou Wallace.
A previsão é que o segmento seja inaugurado no dia 5 de junho. Essa será a primeira parte do palácio reaberta ao público após as chamas destruírem o local.
Porém, a maior parte ficará para 2026.
“O ponto todo é o seguinte, estamos trabalhando para que em 2026 a gente consiga abrir grande parte da Instituição Museu Nacional e dos arredores”, afirmou Alexander Kellner, diretor do Museu Nacional.
Meteorito Bendegó, símbolo de resistência do Museu Nacional após incêndio
Cristina Boeckel/ g1
Pela entrada principal, os visitantes encontrarão o meteorito Bendegó, que se tornou um símbolo de resistência da instituição ao passar pelas chamas.
A pedra, que pesa 5,6 toneladas, foi achada em 1784 perto de um riacho no interior da Bahia e levou quase 1 ano para chegar ao Rio. O meteorito foi levado para o Museu Nacional a mando do Imperador Dom Pedro II, em 1888, e permaneceu no local desde então.
Claraboia
Claraboia em uma das entradas do Museu Nacional
Cristina Boeckel /g1
Logo em seguida, quem entra pela porta principal encontrará a claraboia mencionada pelo arquiteto. Abaixo dela estará o esqueleto de uma baleia cachalote de 15 metros que ficará em uma posição de mergulho. O espaço conta ainda com a escadaria principal do prédio.
Para a instalação da claraboia, foram realizados estudos e intervenções estruturais para garantir que o espaço tivesse a capacidade de suportá-la.
“As paredes estavam muito fragilizadas. Foi um trabalho muito delicado que levou muito tempo para a gente conseguir, com segurança, instalar esse novo elemento da arquitetura”, contou.
Multidão de trabalhadores
Vigas retorcidas em uma das salas que já receberam reforço estrutural no Museu Nacional
Cristina Boeckel/ g1
O trabalho de recuperação do Museu Nacional envolve vários trabalhadores da construção civil. São de 300 a 400 profissionais por dia circulando nos canteiros.
Para garantir a continuidade do trabalho de recuperação, o BNDES anunciou nesta quarta-feira (2) o aporte de mais R$ 50 milhões. De acordo com Aloizio Mercadante, presidente do banco, a instituição tem conversado com bancos privados, por meio da Febraban, para que outras doações sejam viabilizadas.
Um desafio de quem circula pelos canteiros é o resgate das pinturas decorativas das paredes do prédio. Nos locais onde a recuperação está mais adiantada, já é possível pensar em algumas delas, que serão restauradas ou recriadas conforme as originais. Esse trabalho deve acontecer ao longo do segundo semestre.
“A gente tem pinturas decorativas imitando pedras, pinturas imitando cerâmica marajoara”, disse Wallace.
Essa recuperação deve devolver a cara “histórica” de parte do Museu Nacional.
BNDES doa R$ 50 milhões para reconstrução do Museu Nacional
Túnel
Manto sagrado do povo indígena Tupinambá foi apresentado no Museu Nacional, no Rio
Jornal Nacional/ Reprodução
Grande parte da edificação, danificada pelo fogo, passou por reforço estrutural em uma das primeiras etapas das obras. Apenas um bloco ainda passa por este processo.
Uma das próximas etapas é instalar acessos verticais para que sejam colocados elevadores, tornando o espaço mais acessível.
Outro desafio é a construção de um túnel de serviço que vai ligar o acesso principal ao anexo, onde está o acervo. Entre os destaques dele está um manto tupinambá do século 16, que foi doado pelo Museu Nacional da Dinamarca.
Luzia
Partes do crânio do fóssil Luzia logo depois de serem encontrados nos escombros do Museu Nacional em imagem de 2018
Patrícia Teixeira/G1
Com a doação de R$ 50 milhões pelo BNDES, o Museu Nacional trabalhará na reconstrução do crânio de Luzia, fóssil humano mais antigo do Brasil. Os restos foram encontrados nos escombros após o incêndio e estão armazenados para o processo de restauro.
Encontrado em Minas Gerais na década de 1970, Luzia seria também o fóssil mais antigo das Américas. O material foi o responsável por mudar a teoria da povoação do continente americano.
“Esses recursos, parte deles, serão utilizados para restaurar essa brasileira fantástica que é a Luzia, que também, de uma certa forma, junto com o Bendegó, demonstrou ser assim uma peça de resistência da instituição. Estamos trabalhando para isso”, finalizou Kellner.
Fachada do Museu Nacional com tapume
Cristina Boeckel / g1
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