Goldman Sachs rebaixa PRIO e Brava: “petróleo em queda pressiona ações”, diz especialista

O rebaixamento das ações da PRIO e da Brava pela Goldman Sachs nesta semana acendeu o alerta entre investidores. A decisão da casa americana não está diretamente ligada a problemas internos das companhias, mas sim a uma leitura mais ampla sobre o cenário global do petróleo e suas implicações no desempenho futuro dessas empresas.

Quem explica é o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, em entrevista à BM&C News. Segundo ele, o movimento do Goldman é “mais macro do que micro”. Em outras palavras, trata-se de uma leitura de ambiente — e não necessariamente de deterioração nos fundamentos das empresas.

A perspectiva de preços de petróleo menor impacta diretamente a receita dessas companhias, que vivem da cotação internacional da commodity. Com isso, o potencial de crescimento reduz e o investidor tende a se afastar”, afirma Cruz.

Pressão sobre o petróleo: mais oferta e menos crescimento

Na visão de Cruz, o mercado de petróleo está sendo moldado por dois vetores principais: crescimento econômico global mais fraco e aumento da oferta por parte dos grandes produtores.

Ele aponta que, mesmo com certo dinamismo na Europa, o desempenho de Estados Unidos e Ásia vem decepcionando em termos de expansão econômica. Isso reduz a demanda por petróleo. Ao mesmo tempo, os países da Opep, que vinham tentando conter a oferta para sustentar os preços, têm enfrentado dificuldades em manter esse compromisso.

Nos últimos anos houve tentativa da Opep de envelopar e controlar a oferta, mas alguns membros boicotaram esse esforço, como a Arábia Saudita denunciou”, relembra.

Além disso, Cruz chama atenção para o impacto de um possível acordo entre Donald Trump e a Rússia. Caso ocorra, o petróleo russo pode voltar com mais força ao mercado internacional, intensificando ainda mais a pressão sobre os preços.

“Se houver acordo, a oferta global cresce mais, o que pressiona o barril. Já se discute que os produtores estão confortáveis com preços na faixa dos US$ 60, o que é abaixo do atual, mas aceitável diante da dificuldade de coordenar cortes”, explica.

Petróleo – ações da PRIO e Brava sofrem

Diante desse contexto, Cruz acredita que empresas como PRIO e Brava, altamente dependentes da cotação do barril de petróleo, têm menor visibilidade de crescimento nos próximos anos. Isso se reflete diretamente nas decisões de investimento.

Se a receita depende do preço internacional e esse preço tende a cair ou se manter abaixo do ideal, o negócio se torna menos atrativo. O investidor fica receoso de manter grandes posições”, analisa.

Seguradoras ganham destaque com juros elevados

Empresas de seguros conseguem rentabilizar melhor o dinheiro dos clientes em ambiente de juros altos, mesmo que os cortes comecem ainda este ano”, explica. “Isso justifica o bom desempenho recente de ações como Caixa Seguridade e BB Seguridade”.

Segundo ele, essas empresas estão em posição confortável para atravessar 2025 com resultados mais robustos, sustentadas pela performance dos seus investimentos financeiros.

O peso do ambiente global

A fala de Gustavo Cruz reforça que, em momentos de incerteza ou mudança de perspectiva global, as empresas mais sensíveis a ciclos econômicos e preços de commodities acabam sendo as primeiras a sentir o impacto. Por outro lado, setores mais resilientes, como o de seguros, se beneficiam do mesmo contexto, especialmente com juros em patamares elevados.

O alerta do estrategista serve como lembrete de que, para além dos fundamentos das empresas, o ambiente macroeconômico é determinante nas decisões de alocação — tanto para o investidor institucional quanto para o varejo.

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