Como as novas tarifas americanas podem impactar o dólar, segundo o Inter

A dinâmica do dólar vai depender de qual fator irá prevalecer em resposta às tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse o economista sênior do Inter, André Valério. “Se a economia americana absorver bem o choque, com baixo impacto na atividade e na inflação, a tendência é que o dólar se aprecie de maneira global”, comentou.

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Por outro lado, caso o impacto das tarifas seja extenso, criando incertezas e desaceleração da economia, a tendência é observar a continuidade do movimento de depreciação do dólar.

“A reação do mercado aponta que a visão é de que as tarifas colocarão a economia americana em direção à recessão, com os juros de 10 anos recuando fortemente para em torno de 4,10%”, pontuou Valério.

De acordo com o economista, o real, em meio a isso, deve sofrer pouco. “O impacto sobre a balança comercial brasileira deve ser pequeno, uma vez que o fluxo comercial do Brasil com os Estados Unidos não é o mais relevante”.

Impacto das tarifas dos EUA

Um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) indica que aumento nas tarifas levam, na maioria das vezes, a uma apreciação da taxa real de câmbio na mesma magnitude do aumento das tarifas. O levantamento cobriu 151 países entre 1963 e 2014.

No entanto, Valério ressalta que o impacto sobre a balança comercial tende a ser nulo. Isso porque as tarifas limitam as importações, tornando-as mais caras, ao mesmo tempo em que a apreciação da taxa real de câmbio torna as importações mais baratas.

Além disso, o economista pontuou que alguns setores específicos devem sofrer mais, e tais setores não são altamente representativos na balança comercial. Por outro lado, o efeito líquido das tarifas pode ser positivo, especialmente se houver retaliação por parte da China e da Europa.

“O Brasil tende a ganhar market share de suas exportações, à medida que essas regiões direcionem suas demandas para outro lugar, particularmente o agro, que sofre grande competição com o agro americano”, afirmou.

Além disso, como o Brasil recebeu a taxa mínima das tarifas recíprocas (10%), Valério acredita que os produtos brasileiros serão relativamente mais competitivos em relação aos outros países, o que pode permitir maiores exportações aos Estados Unidos.

Trump anuncia taxas de 10% sobre importações do Brasil

Donald Trump, disse nesta quarta-feira (2) que os Estados Unidos taxarão as importações do Brasil em 10%, a partir de amanhã (3).

Além do Brasil, a ChinaUnião Europeia, Vietnã, entre outros países também serão taxados pelos EUA. As tarifas recíprocas buscam equalizar taxas do país norte-americano com impostos cobrados por parceiros comerciais.

E, apesar de Trump ter ameaçado taxar importações do Canadá e México, os países não estão na lista dos países que receberão as tarifas.

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