5 de abril: o dia que levou Kurt Cobain e Layne Staley

5 de abril: o dia que levou Kurt Cobain e Layne Staley
Fotos: Divulgação

Kurt Cobain e Layne Staley tinham muita coisa em comum. Ambos nasceram em 1967 em Washington, e começaram suas carreiras em meados dos anos 1980 para participarem de uma revolução no rock de Seattle, que explodiria para o mundo com o movimento conhecido como grunge.

Nirvana e Alice in Chains foram pilares desse estilo que misturava o melhor do metal, do punk e do alternativo, com um visual desleixado, uma entrega visceral e letras que falavam sobre as dores e angústias daquela geração.

Além do talento, os dois vocalistas também compartilhavam o fardo do sucesso repentino e da luta contra os vícios. Suas mortes, separadas por oito anos, aconteceram em um mesmo 5 de abril, o que transformou essa data em um símbolo silencioso de tudo o que o grunge teve de mais brilhante — e de mais trágico.

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Os últimos dias de Kurt Cobain, vocalista do Nirvana

Alerta de gatilho: esse texto trata de temas sensíveis

Em 1994, o Nirvana já tinha lançado três álbuns pesadíssimos e rodado o planeta com shows cheios de energia e, por vezes, caóticos. Dá pra dizer que Kurt Cobain era a maior estrela do rock mundial, e isso se tornou um problema, já que a fama não combinava com sua visão artística.

Em março daquele ano, Kurt foi internado em Roma, na Itália, para tratar uma bronquite e laringite, e também sofria dores de estômago frequentes. Quando saiu do hospital, ele sofreu uma overdose de remédios, que sua namorada Courtney Love depois descreveu como sua “primeira tentativa de suicídio”.

Ao voltarem pra casa, a vocalista do Hole chamou a polícia e amigos do cantor para fazerem uma intervenção, porque acreditava que ele não queria mais viver. Cobain concordou em fazer uma reabilitação em Los Angeles, mas fugiu da clínica dois dias depois de dar entrada.

O Nirvana tinha um show marcado no festival Lollapalooza no dia 6 de abril, mas ele foi cancelado porque Kurt estava sumido. No dia 8, seu corpo foi encontrado em casa, e a autópsia confirmou que ele já estava morto desde o dia 5.

Cobain deixou uma carta de despedida dizendo que “não tinha mais vontade de ouvir ou criar música”. Sua morte comoveu até quem não era fã de rock e virou um marco cultural, já que o cantor tinha apenas 27 anos e entrou para o chamado “Clube dos 27”, lista de artistas que morreram com essa idade, incluindo Jim Morrison e Janis Joplin.

Layne Staley, do Alice in Chains, já enfrentava o vício

O Nirvana encerrou as atividades em 1994 e o baterista Dave Grohl seguiu em frente com o Foo Fighters, mas a passagem de Kurt deixou resquícios em vários artistas daquela geração, especialmente em Layne Staley, que enfrentava a dependência química desde a adolescência.

O Alice in Chains lançou seu último álbum com ele nos vocais em 1995, mas o estado do cantor só piorou a partir de 1996, quando sua ex-noiva e amiga Demri Parrott faleceu também por abuso de drogas. No mesmo ano, ele gravou o icônico MTV Unplugged e chamou a atenção dos fãs por sua aparência frágil e melancólica.

Durante os próximos seis anos, Staley praticamente abandonou a vida pública e se recolheu num condomínio em Seattle, reduzindo gradativamente o contato com a família e os colegas de banda enquanto sua saúde piorava a cada dia.

Foi sua mãe quem o encontrou morto no sofá de casa no dia 19 de abril de 2002, incríveis duas semanas após a overdose de heroína e cocaína sofrida no fatídico dia 5 de abril — exatamente oito anos após a morte de Kurt Cobain. Mais tarde, Nancy McCallum revelou que seu filho tentou a internação em clinicas de reabilitação nada menos que 14 vezes.

A passagem de Layne Staley carregava um simbolismo profundo para os fãs do grunge: seu desaparecimento gradual e a maneira solitária como ele morreu escancaravam o preço silencioso que muitos ídolos do rock pagaram nos bastidores do sucesso.

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Também é dia de lembrar Chorão, Chris Cornell, Amy Winehouse e tantos outros

É impossível ignorar as tristes coincidências que unem essas duas histórias, mas o dia 5 de abril acabou virando uma oportunidade para refletir sobre o peso da fama, as pressões do mercado da música e o refúgio nas drogas.

De lá pra cá, outros grandes artistas sofreram com essa combinação, que talvez só tenha piorado na era digital, e não faltam exemplos como os de Amy Winehouse, Chris Cornell, Chester Bennington, Mac Miller, Liam Payne, Chorão, Champignon e tantos outros.

Mas também é uma data pra celebrar o que esses artistas deixaram de mais poderoso: transformaram sofrimento em arte. Somados, Nirvana e Alice in Chains têm hoje mais 43 milhões de ouvintes mensais nos streamings, e os clássicos que eles gravaram vão ressoar para sempre. Viva, Kurt e Layne!

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