Dólar fecha em queda de mais de 1%, a R$ 5,62, após ‘tarifaço de Trump’

O dólar à vista (USDBRL) fechou em forte queda, em sessão marcada pela elevação da aversão ao risco após o ‘tarifaço’ de Trump. Nesta quinta-feira (3), a divisa norte-americana encerrou as negociações a R$ 5,6281, com  queda de 1,20% — no menor valor desde julho de 2024. 

Durante a sessão, a moeda chegou a ser cotada em R$ 5,5934.

O movimento acompanhou a tendência vista no exterior. Por volta de 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais como euro e libra, caía 1,68%, aos 102.131 pontos.

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O que mexeu com o dólar hoje?

As tarifas de importação dos Estados Unidos elevaram o temor de uma guerra comercial global e o risco de recessão da maior economia do mundo — e pressionaram o dólar.

Ontem (2), Trump estabeleceu uma alíquota-base de 10% para todos os países que são parceiros comerciais, que entra em vigor em 5 de abril. Já as tarifas recíprocas serão aplicadas a partir de 9 de abril. Hoje (3), as taxas de 25% sobre a importação de automóveis já entraram em vigor.

Na avaliação do mercado, as tarifas devem gerar mais inflação e, no curto prazo, a economia norte-americana deve enfrentar uma stagflation – cenário em que a redução ou estagnação de crescimento econômico está atrelado a aumentos de preços, ou a uma inflação acima da esperada pelo Fed.

Com a piora do cenário, os agentes financeiros começaram a precificar mais cortes nas taxas de juros norte-americanas, acima da projeção do Fed. Hoje, os juros estão na faixa de 4,25% a 4,50% ao ano. “Os investidores (já estão) passando a precificar até três cortes na taxa básica de juros dos Estados Unidos ainda neste ano”, afirma Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Reaserach.

De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, a aposta de um corte acumulado de 1 ponto percentual pelo Fed em 2025 se tornou majoritária no mercado, com a probabilidade de 31,7%.

A moeda também reagiu às declarações do vice-presidente do Federal Reserve (Fed), Philip Jefferson. “Ainda há uma quantidade substancial de incerteza em relação ao comércio e esse nível de incerteza, é claro, pode pesar sobre as famílias e o investimento das empresas”, disse Jefferson em  uma conferência do Fed de Atlanta, sobre as tarifas impostas por Trump.

O vice-chair ainda afirmou que está avaliando não apenas o efeito da política comercial, mas o impacto líquido de todas as novas políticas, inclusive as fiscais, de imigração e de regulamentação. “Estamos em uma situação em que será importante reservar um tempo e pensar cuidadosamente sobre seu impacto.”

Já no cenário doméstico, os analistas avaliam que a alíquota de 10% sobre os produtos brasileiros ‘ficou abaixo do esperado’ — o que é positivo para o mercado local. Além disso, o Brasil ainda pode se beneficiar em um cenário de guerra comercial, já que o país é um dos maiores exportadores de commodities do mundo. 

“Para o Brasil, é um cenário menos desfavorável do que muitos temiam. Por um lado, os produtos brasileiros perderão parte da competitividade em relação aos fabricados nos EUA, que não pagam a taxa, e alguns setores podem sofrer mais”, disse a economista do BTG Pactual, Iana Ferrão, em nota.

Em reação, os ativos brasileiros registraram um melhor desempenho devido à perspectiva de maior diferencial de juros com os EUA, caso o Fed precise promover mais cortes na taxa de juros para evitar uma recessão, e pela queda nas taxas de Depósitos Interfinanceiros (DIs) — a curva de juros futuros —, que acompanhavam a baixa nos rendimentos dos Treasuries.

Na curva de juros, operadores passaram a precificar a possibilidade de 14% de o Banco Central realizar um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano, em maio, contra 86% de chance de uma alta de 0,5 ponto percentual.

*Com informações de Reuters

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