Depoimento de empresária à Polícia Civil expõe fragilidades do Aeroporto de Jundiaí no controle de bagagens e passageiros


Local foi usado para fuga de Emílio Carlos Gongorra (‘Cigarreira’), acusado de ser o mandante do assassinato do delator do PCC. Anac diz que não há irregularidades porque o aeroporto movimenta menos de 60 mil passageiros por ano. Aeroporto de Jundiaí (SP)
VOA SP/Divulgação
O depoimento de uma empresária da aviação à Polícia Civil, em São Paulo, expôs fragilidades no embarque de passageiros e despacho de bagagens no Aeroporto de Jundiaí (SP). Ela foi ouvida em 7 de março deste ano pelo Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), órgão que trata de crimes contra a vida, e que investigou a morte de Vinícius Gritzbach, assassinado em 8 de novembro de 2024, à luz do dia, no Aeroporto de Guarulhos.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) diz que não há irregularidades, levando em consideração que o aeroporto transporta menos de 60 mil passageiros por ano. A VOA São Paulo, que administra o local, afirma que segue todas as determinações da agência. (Veja respostas abaixo)
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Quando foi ouvida pela Polícia Civil, a empresária foi questionada pelos agentes se existe controle da documentação dos passageiros no Aeroporto Estadual Comandante Rolim Adolfo Amaro. Ela afirmou que não existe fiscalização, sendo feita apenas uma conferência com o número de documento fornecido pelo próprio passageiro na hora do embarque.
Ela também disse que não existe controle ou passagem por raio-x das bagagens dos passageiros no momento do embarque pela concessionária.
Foi com uma aeronave e do hangar da empresa que a empresária é sócia que decolou de Jundiaí, em 7 de novembro de 2024, Emílio Carlos Gongorra, conhecido como Cigarreira, membro do PCC. Ele é considerado foragido da Justiça por ser réu no processo da morte do delator do PCC. Para o Ministério Público do Estado de São Paulo, Emílio Carlos Gongorra é um dos mandantes do assassinato.
Cigarreira está foragido da Justiça e partiu de Jundiaí um dia antes do crime em Guarulhos. Ao longo do mês de novembro, ele passou pelo aeroporto 15 vezes.
O que dizem as autoridades
A regulamentação e a fiscalização da segurança operacional da aviação civil e segurança de aviação civil contra atos de interferência ilícita é uma das atribuições da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Isso abrange tanto os aspectos operacionais relacionados às operações das empresas e pessoal de aviação quanto de segurança aeroportuária, conforme confirmado pela agência.
Conforme a Anac, o aeroporto de Jundiaí opera apenas voos da aviação não regular e recebe menos de 60 mil passageiros por ano, e por isso é classificado como “AP-0″ (código interno da agência), o que lhe dispensa de realizar inspeções de passageiros e pertences de mão, e inspecionar bagagens despachadas. “Dessa forma, o aeródromo não está em desacordo com as regras estabelecidas pela Anac”, afirma a agência.
A Rede VOA, que administra o aeroporto, disse que o local segue à risca todas as regras de fiscalização e segurança de voo exigidas pela Anac. Pontuou que a inspeção de passageiros e de bagagem não é feita por conta da classificação do aeroporto, com operação exclusiva de aviação geral, de serviço de táxi aéreo e/ou de aviação comercial na modalidade de operação de fretamento.
A VOA informou também que “há registros públicos de apreensões passadas em hangares particulares” e que atua “em parceria constante com os órgãos de segurança, sempre se colocando à frente na disponibilização de materiais solicitados para elucidações de diversas matérias e integrados às forças de segurança municipais e estaduais por meio do seu Centro de Controle Operacional (CCO), que inclusive faz parte do Programa Muralha Paulista, do Governo no Estado de São Paulo, cedendo as imagens de todas as nossas câmeras”.
“Todo o processo de segurança aeroportuária é de responsabilidade da Polícia Federal, sendo sua presença constante no acompanhamento da rotina operacional dos aeródromos”, finaliza a concessionária do aeroporto.
A Polícia Federal não retornou aos questionamentos do g1.
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