Presidente da COP30 vê desinformação como o maior desafio antes da conferência de 2025

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Durante o COP30 Business Forum, realizado em São Paulo na semana passada, André Correa do Lago, presidente da COP30, revelou que o maior desafio até a realização da conferência em novembro deste ano, em Belém (PA), será combater a desinformação sobre mudanças climáticas.

O evento, promovido pela Amcham Brasil, reuniu autoridades e especialistas para discutir práticas sustentáveis e a preparação para o evento internacional.

Junto com o presidente, também participaram do painel do fórum, o Secretário-Executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, e o governador do Pará, Helder Barbalho.

Durante sua participação, o presidente abordou os desafios da comunicação no campo climático e a importância de desmistificar o debate.

“O maior pesadelo é a desinformação. Isso é muito ruim porque, muitas vezes, nós, que já fomos negociadores de clima, acabamos querendo guardar o tema para nós e explicamos as coisas de maneira muito complicada”, afirmou.

Ele destacou que a complexidade do tema, muitas vezes, resulta em uma comunicação distorcida, que gera resistência e falta de compreensão.

“Às vezes, a gente tenta controlar o poder sobre a negociação e isso teve consequências muito negativas. A desinformação tem sido um dos maiores obstáculos para o progresso das negociações”, disse.

Correa do Lago enfatizou que, nos próximos meses, o maior esforço será o de esclarecer de forma clara e acessível o que está em jogo nas negociações climáticas.

Para o embaixador, em eventos como o COP30 Business Forum, o papel de especialistas e líderes empresariais é fundamental para garantir que a sociedade compreenda como as soluções para as mudanças climáticas podem impactar positivamente a economia global.

“Temos que explicar de maneira muito clara o que podemos obter e, mais importante, como isso se traduz em algo factível. Por exemplo, a economia mundial já está sendo impactada pelas mudanças climáticas. A ideia é mostrar que esse impacto pode ser mitigado se tomarmos as decisões corretas”, explicou.

Correa do Lago também abordou sobre a transição energética, destacando que as políticas climáticas precisam ser bem apresentadas para evitar desinformação, como ocorreu em alguns países da Europa.

“Na Europa, muitos acreditam que o aumento no preço da energia está ligado à sustentabilidade. Porém, isso é resultado de políticas mal apresentadas e mal desenvolvidas”, analisou, alertando que a transição energética precisa ser equilibrada para garantir o apoio popular.

Durante o fórum, Andréas Correa do Lago reafirmou a importância de reunir o apoio de investidores e do setor privado para enfrentar a crise climática e garantir um legado duradouro para o país.

Além da necessidade de construir pontes entre diferentes partes do mundo, especialmente entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, para garantir uma transição energética justa e eficaz.

O combate à desinformação não será apenas uma questão de comunicação, mas também de garantir que as políticas climáticas sejam sustentáveis e tenham o apoio da população e do setor privado.

O presidente da COP30 também alertou que o preço da inação já é grande demais para ser ignorado.

“O PIB mundial já perde trilhões para compensar os danos causados pela mudança do clima. É hora de mudar o rumo”, finalizou.

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