Quase um quinto dos empregadores brasileiros está na informalidade


A informalidade entre empregadores é histórica no Brasil. Quase um quinto dos empregadores brasileiros está na informalidade
Quase um quinto dos empregadores brasileiros está na informalidade.
Vinte anos no mercado, chef de diversos restaurantes. E a Carol Albuquerque sabia exatamente como queria que fosse a relação trabalhista com os funcionários quando abriu o seu próprio restaurante há um mês.
“Desde o início, para a gente, foi muito importante ter uma equipe que fosse registrada corretamente, CLT. A gente quis também ter duas folgas por semana, que é uma coisa nova na nossa área”, diz a chef Carol Albuquerque.
O restaurante da Carol é um dos 64 mil novos empregadores formais que surgiram no Brasil entre março de 2024 e fevereiro de 2025. O número se refere a empregadores porque são empresas que contrataram pelo menos uma pessoa. Formais porque são empresas com CNPJ e funcionários com carteira assinada. Mas nem todo empregador é formal.
Muitos empreendedores no Brasil começam na informalidade. Um negócio de apenas uma pessoa. Um carrinho de cachorro-quente, vendendo bolo de casa. Pode ser um serviço, encanador ou eletricista, e por aí vai. Mas aí o negócio vai crescendo, e vem a necessidade de ter mais gente para ajudar. O empreendedor contrata alguém. Mesmo sem ter se formalizado e, consequentemente, sem formalizar essa contratação.
Essa categoria de empregador informal também cresceu. São 29 mil novos em um ano. Os economistas dizem que o crescimento das duas categorias reflete um mercado de trabalho aquecido, mesmo com o Banco Central aumentando os juros para tentar conter a inflação.
Quase um quinto dos empregadores brasileiros está na informalidade
Jornal Nacional/ Reprodução
A informalidade entre empregadores é histórica no Brasil. E o número não varia muito. Nos dados divulgados pelo IBGE, ficou em 18,9%. Um problema para o país e para o próprio empresário.
“Ele não tem acesso a determinadas linhas de crédito, ele não consegue acessar determinados mercados que são mais sofisticados. No fundo, ele perde oportunidades ao ficar na informalidade. Para o país, no fundo, ele não está contribuindo, por exemplo, para a Previdência Social. Ele não está contribuindo para o crescimento da economia como um todo, o que torna a economia menos produtiva no médio e longo prazo”, afirma Guilherme Fowler, professor de economia do Insper.
Estar na informalidade nem sempre é uma opção.
“São dois fatores. Eu acho que o primeiro é o próprio custo de se formalizar. É caro ser formal no Brasil. Por outro lado, acho que tem uma questão do nível de informação que os empreendedores informais de fato têm no sentido de como que eles acessam essa formalidade maior e como que eles de fato conseguem fazer isso acontecer”, explica Guilherme Fowler.
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