Jão abandona polvo, traz pop confessional e faz do Lolla uma pista de dança

(Foto: Tomzé Fonseca/Agnews)

Nesta sexta-feira (28), sob um coro uníssono de “Jão, cadê você? Eu vim aqui só pra só te ver”, o fenômeno brasileiro entrou, pela segunda vez, no mesmo palco secundário do Lollapalooza Brasil que estreou ainda em 2022, acompanhado de um polvo enorme, um karaokê coletivo e uma legião de fãs.

Agora, em 2025, depois de aumentar sua discografia, percorrer o Brasil com shows em estádios e seguir a receita perfeita de qualquer diva pop, o cantor superou o atraso geral do festival (causado por razões meteorológicas) com um show pop perfeito, milimetricamente ensaiado e com ares de europop que fizeram o público se sentir numa casa noturna.

“Muito prazer, eu sou o Jão! Muito feliz em estar de volta. Preparamos um show maravilhoso e, como vocês sabem, eu estou sempre bem acompanhado”, disse ele, antes de apresentar sua banda completa com backing vocals, naipe de metais e demais instrumentos.

(Foto: Tomzé Fonseca/Agnews)

(Foto: Tomzé Fonseca/Agnews)

A primeira meia hora de apresentação trouxe a essência do que fez Jão e seu pop rock emotivo ficar famoso, enfileirando faixas como “Acontece”, “Santo”, “Me Lambe”, “Idiota”, “Se o Problema era Você, por que doeu em mim?”, “Alinhamento Milenar”, “Meninas e Meninos” e “:( (Nota de voz 8)”,, no piano. É aqui, mais uma vez, que o trunfo do artista se firmou: com letras fáceis e histórias que, com certeza, todo mundo já passou uma vez na vida, ele puxa um coro que expurga males e faz esquecer da lama e a chuva.

Um ponto interessante foi o cover de “Finger”, de The Cranberries, sentado no piano, num gesto costumeiro de show em festivais, mas com (mais uma) anedota pessoal para embalar o público. Apostando, como sempre, na identificação fácil baseada em sonhos e amores, Jão contou: “Semana passada, eu estava com a cabeça encostada no vidro do carro, pensando na minha época de escolha, no ônibus, e lembrando como eu me imaginava sendo um popstar. E caramba, agora, eu sou um popstar e eu vou tocar no festival mais legal do mundo. E essa música está aqui porque é pra vocês e porque é a música predileta de uma pessoa que eu gosto muito”.

No segundo bloco do show, a estrela de Américo Brasiliense trouxe faixas como “Acidente”, “Não Te Amo”, “Religião” e outras, que ganharam batidas dançantes, costumeiras da house music, que transformaram o festival numa pista de dança, somadas à coreografias corpo a corpo com seus bailarinos, num aceno a algo mais sensual e suado — não comum ao seu trabalho até aqui e talvez uma possibilidade para o próximo disco da carreira.

Antes do fim, o astro surgiu todo lambuzado de um material não inflamável com uma jaqueta preta pegando fogo nas costas e na cabeça, acompanhado de fogos de artifícios que iluminaram a plateia boquiaberta. Isso tudo, somado ao cenário inédito com ares vintage e luzes de balada, mostra um cuidado do cantor e de sua equipe de trazer um show performático, inédito e bem desenhado mesmo tendo a apresentação da bem-sucedida “SUPERTURNÊ” pronta na manga.

Você pode até não se identificar com as letras de Jão ou achá-lo meio “básico” e apelativo demais na imagem, mas é interessante e muito legal observar um artista que traz novidades para seus shows, querendo melhorar, sempre, a experiência de seu fã — que é quem mais importa.

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