Boa Safra (SOJA3) reporta 4T24 fraco para 4 analistas; hora de vender ações?

Boa Safra (SOJA3) reportou queda de 62,88% no seu lucro líquido no quarto trimestre de 2024 (4T24), que ficou em R$ 80,263 milhões.

Segundo a XP Investimentos, a receita líquida de R$ 957 milhões no quarto trimestre, 19% abaixo das estimativas da casa, enquanto o Ebitda ajustado de R$ 131 milhões ficou 31% aquém das estimativas dos analistas.

No ano, a companhia registrou queda de volumes, que ficaram em 161 big bags (sacos de sementes), queda de 2% ano ano e em linha com as estimativas da XP. A casa mantém sua recomendação de compra e preço-alvo de R$ 14,50 (potencial de 41,19%).

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“A performance fraca das margens no ano reforça a importância da manutenção de crescimento de volumes e alavancagem operacional, algo que temos sido vocais há algum tempo.

Para os analistas, os fatores que impactaram os resultados de 2024 não devem impactar 2025.

“Embora continuamos enxergando valor e potencial de upside no longo prazo, preferimos ver alguns trimestres de entregas antes de ficar mais otimista com a tese de investimento”, veem Leonardo Alencar, Pedro Fonseca e Samuel Isaak.

Para o BTG Pactual, o desempenho insatisfatório do segmento de sementes de soja foi o principal fator por trás dos resultados fracos de 2024 e que resultou na perda de market share de 8,5% para 8,0%.

No longo prazo, porém, o banco segue confiante nos fundamentos e em seu perfil de crescimento, mas reconhece que a ação não conta com um catalisador de valorização evidente.

O BTG recomenda compra e preço-alvo de R$ 21 (potencial de alta de 104,88%).

“A companhia parece bem posicionada para capturar oportunidades na próxima temporada de soja no Brasil”.

Ainda segundo o BTG, a Boa Safra continuou expandindo suas áreas contratadas, que atingiram 274 mil hectares, e parece empenhada em diversificar sua base de clientes (número de distribuidores atendidos subiu para 697 em 2024), mitigando os efeitos de inadimplência ou restrição de crédito em contas-chave.

SOJA3 para Itaú BBA e BB Investimentos

Na avaliação do BB Investimentos, os resultados negativos refletem o contexto setorial mais desafiador ao longo de 2024, com perda da produtividade por problemas climáticos, queda nos preços das sementes e a piora na liquidez dos produtores e distribuidoras levaram à retração da receita.

“As ações SOJA3 acumulam queda de 38% nos últimos 12 meses, com os investidores penalizando a companhia em um momento de piora do contexto setorial no qual a Boa Safra está inserida. Ao nosso ver, o ano de 2025 seguirá desafiador, com a liquidez dos produtores e distribuidores ainda sob pressão”, aponta Georgia Jorge.

Apesar disso, a analista enxerga contribuições positivas da safra 2024/2025 de soja, que deve ter uma produtividade bem superior que o ciclo anterior, o que deve permitir com que a Boa Safra retome a produção de big bags conforme sua capacidade operacional.

O BB Investimentos segue com uma recomendação neutra e preço-alvo (potencial de alta de 103,1%).

Na avaliação do Itaú BBA, os números mais fracos do que o esperado no quaro trimestre renderam números do ano fiscal de 2024 abaixo das previsões. Apesar disso, eles ainda recomendam compra e preço-alvo de R$ 18 (potencial de alta de 68,4%).

“Nossa recomendação de desempenho superior para a SOJA3 é baseada em um valuation barato e uma visão construtiva de longo prazo para a empresa e o setor, que já provou ser mais resiliente do que outras categorias de insumos agrícolas”, dizem Gustavo Troyano e Bruno Tomazetto.

No entanto, eles avaliam que a falta de gatilhos de curto prazo e a forte sazonalidade provavelmente pesarão no apetite dos investidores até o terceiro trimestre de 2025, quando os resultados anuais aumentam sazonalmente.

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