Em “Onda”, Rael mergulha na sua melhor versão: “é um renascimento”

Rael
Foto: Amauri Rafael

A história de Rael não é apenas sobre um artista talentoso que soube expandir suas influências musicais.

É sobre um rapper que nunca se prendeu a rótulos, um cantor que encontrou no violão um caminho para reinventar o rap e um compositor que soube transformar sua própria trajetória em música.

Com Onda, seu mais novo disco que chegou às ruas na última quinta-feira (20), Rael não apenas reafirma essa versatilidade, mas também convida o público para uma experiência que é ao mesmo tempo uma festa, uma viagem e um manifesto de alegria.

Desde os tempos em que frequentava o Largo São Bento, epicentro do hip hop paulistano, até sua consolidação como um dos artistas mais plurais da música brasileira, Rael sempre esteve em busca de autenticidade. No coletivo Pentágono, ele ajudou a moldar uma nova sonoridade para o rap nacional.

Depois, em sua carreira solo, explorou fusões com MPB, reggae e pop, expandindo ainda mais seu alcance. Mas Onda marca um novo momento, um projeto marcado pela explosão de brasilidade, um projeto solar que celebra a liberdade de existir e de dançar.

E essa liberdade é o fio condutor do álbum. Não à toa, a lista de colaborações do projeto é extensa e diversa: Ludmilla, Mano Brown, FBC, Rincon Sapiência, Marina Sena, Ivete Sangalo, Tropkillaz, Los Brasileros e Luedji Luna são alguns dos nomes que se juntam a ele nessa jornada.

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O hiato, as barreiras e o disco

Através de 14 faixas de Onda, Rael passeia por ritmos que atravessam as influências da música negra, do pagodão baiano ao amapiano, do funk ao rap, sem nunca soar disperso. Porém, a construção do álbum foi lenta, fruto de um intervalo de seis anos desde o último disco, Capim-Cidreira.

“As plataformas digitais impõem uma obrigatoriedade de lançamento que desgasta a criatividade do artista. Nesses seis anos, vivi o luto do meu pai, minha separação… Foi um tempo de amadurecimento.

Foi um período em que eu maturei vários acontecimentos da minha vida e pude fazer uma pesquisa musical profunda. Essa pausa foi essencial para que eu conseguisse trazer essa diversidade de forma coesa.”

A relação com seu pai, inclusive, aparece em “Saudade de Lascar”, que teria sua participação e acabou virando homenagem. “Chamei o Mestrinho para a faixa, e o título permaneceu. É uma homenagem ao meu pai, que era sanfoneiro.”

Apesar das dificuldades enfrentadas, o álbum de Rael não tem um momento mais denso ou introspectivo, pelo contrário, ele traz a felicidade um estado de espírito que permanece presente do começo ao fim. “Eu vivi muita coisa na quebrada que quero esquecer e, agora, quero poder tirar uma onda”, diz, resgatando a essência do título do álbum. “As ondas têm barreiras no caminho, mas os movimentos não param”.

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Rael tirando Onda

Esse movimento constante também se reflete na forma como Rael enxerga o mercado musical atual. Em um cenário em que muitos artistas moldam seu som para se encaixar nas tendências de algoritmo, ele reafirma sua identidade e impõe a criatividade e versatilidade como guia.

E se existe um lugar onde Rael se sente livre para criar, esse lugar é a sua música. Em Onda, ele assume o papel de anfitrião e conduz o ouvinte por uma experiência fluida e vibrante. “Eu sou um artista que consigo gravar desde o Racionais até a Ivete, do Rincon a Melly, então eu sei que consigo criar um disco leve e bem abrangente. Tudo fez sentido no final”.

A sonoridade do álbum faz um longo passeio pelo Brasil e, em alguns momentos, viaja até o continente africano. Cantando sob as influências do funk, do pagodão baiano e até do amapiano, Rael explica que houve cuidado para que tudo soasse uniforme. “Houve muita pesquisa, e isso permitiu que eu flertasse com vários gêneros com muita propriedade, sem parecer que eu estava atirando para todos os lados. Então, o disco viaja pelo Brasil e vai até a África, mas sempre bastante conectado.”

Nas composições, o cantor narra o amor com diferentes faces e fugindo de clichês. Uma das novidades de Onda, inclusive, é que Rael se permitiu a cantar sobre sexo de maneira mais direta e sem utilizar metáforas, como fez em outros momentos. “Nesse disco, eu estava meio cubano, porque havia voltado de Cuba. Ficava fumando charuto e mentalizava várias situações. Então, virei um personagem alheio ao mundo em minha volta. Então, estou mais livre, por isso consegui falar de sexo de um jeito maduro e até direto.”

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A celebração de Rael

No fim das contas, Onda assume um papel é uma celebração. Um lembrete de que a música também pode ser um espaço de prazer, de resistência pela alegria, de ocupação dos corpos em movimento. “Tem dia que você só quer existir, celebrar, curtir”, reflete Rael. “E essa é a mensagem principal do disco”.

Com 26 anos de carreira e 11 discos lançados, o rapper segue provando que sua arte está em constante evolução. “Cada disco é uma morte e um renascimento. E esse projeto é isso, eu consegui me reinventar, estou feliz pelo time que reuni no projeto”, comemora.

Segundo Rael, uma nova Onda se inicia a partir de agora. “Eu acho que esse disco vai ser um divisor de águas pra minha carreira, por ser tão abrangente. É um disco promissor, tenho boas expectativas. Eu conseguir concretizar toda a minha trajetória musical, que já passou muita gente, em um disco só. São quase três décadas de carreira unificadas nessas 14 faixas.”

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