Governo do Amazonas fortalece emprego e renda com o Carnaval na Floresta 2025

Nos barracões das oito escolas de samba do Grupo Especial, a média é de 20 profissionais por barracão, que trabalham diariamente na construção das alegorias para o desfile no Sambódromo de Manaus.

A demanda inclui a compra de materiais como isopor, tecidos e tintas, além da contratação de artistas e técnicos especializados, que encontram no Carnaval uma das principais fontes de renda do ano.

Nos barracões da Avenida do Samba, em Manaus, os sotaques revelam a presença da mão de obra de Parintins.

É o caso de Diego, escultor responsável pelas alegorias da Unidos do Alvorada. Após se destacar no Boi Garantido, foi contratado para trabalhar no barracão da Portela, no Rio de Janeiro, onde atuou na produção de esculturas e carros alegóricos até janeiro deste ano.

“Trabalhei em Parintins em 2024, desenvolvi um bom trabalho lá, conheci novas pessoas, novos artistas. Gostaram do meu trabalho e me convidaram pra ir pra Portela. Passamos quatro meses lá, esculpindo toda a parte de escultura da Portela, os carros alegóricos, fomos nós que fizemos. Gastei cerca de 650 blocos de isopor”, relata Diego.

A costureira Daniela Teixeira, com 20 anos de experiência no Carnaval, reforça a amplitude da economia criativa.

Além da confecção de fantasias, atua na forração e pastilhagem das alegorias, destacando que a demanda não se restringe ao Carnaval.

“Após o desfile, seguimos para o Festival de Parintins, Barcelos e outros eventos culturais no Amazonas”, explica.

A movimentação nos barracões aumenta conforme o desfile se aproxima. Jaimisson Cardoso, artista da Aparecida, coordena 22 profissionais entre ferreiros, pintores e escultores.

“O ritmo de trabalho se intensifica, começamos às 8h da manhã e estendemos até a noite, garantindo que tudo esteja pronto para a avenida”, afirma.

Cultura como motor econômico

Nos barracões das escolas de samba do Grupo Especial, a remuneração dos artistas é realizada por temporada, abrangendo toda a confecção de alegorias e fantasias.

Andreza Lobo, representante da Unidos do Alvorada, explica que o custo para a produção de três alegorias e dois tripés pode variar entre R$ 120 mil e R$ 200 mil, dependendo da proposta que a agremiação deseja levar para a avenida.

“No caso da Alvorada, fechamos a temporada com um investimento médio de R$ 120 mil, cobrindo desde a construção dos carros alegóricos até a escultura e adereçagem”, destaca.

As costureiras das alas recebem, em média, de R$ 10 a R$ 15 por peça, o que significa que uma ala com 70 fantasias custa aproximadamente R$ 1.100 a R$ 1.120 apenas com vestimentas.

Quando se incluem adereços como cabeças, ombreiras, acessórios de braço e perna, os pacotes podem chegar a R$ 3 mil a R$ 5 mil por ala, elevando ainda mais os custos de produção.

Por outro lado, a escola de samba Aparecida revelou que sua folha de serviços gira em torno de R$ 500 mil.

Para os artistas, o custo médio mensal é de R$ 2.500, durante os três meses de preparação.

A exceção é para os artistas de ponta, como os responsáveis pelas alegorias e o intérprete oficial, que recebem valores significativamente mais altos.

Valorização do carnaval

O Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, aposta na valorização do Carnaval como impulsionador da economia criativa.

Os repasses de recursos para as agremiações de samba do Carnaval 2025 foram concluídos até o dia 14 de fevereiro. 17 escolas de samba do estado, de um total de 26, estavam aptas a receber os investimentos.

As agremiações do Grupo Especial receberam R$ 450 mil cada, enquanto as do Grupo Acesso A receberam R$ 250 mil e as do Acesso B receberam R$ 160 mil, com o objetivo de garantir a realização dos desfiles e fomentar a cultura local.

Além dos empregos diretos nos barracões, o evento aquece setores como hotelaria, gastronomia, comércio e turismo, criando um ciclo de oportunidades para empreendedores locais.

Mais do que uma festa, a celebração movimenta milhões de reais e projeta artistas, costureiros, escultores e aderecistas amazonenses para o cenário nacional, consolidando o estado como referência na produção cultural.

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