Braskem (BRKM5) inicia estratégia para enfrentar ciclo de baixa da indústria petroquímica

A Braskem (BRKM5) começou a por em movimento um plano para lidar com um ciclo de baixa da indústria petroquímica global mais longo que o histórico, algo que envolve usar menos nafta e mais etano como matéria-prima em suas instalações produtivas no Brasil.

“Não vemos uma recuperação desse ciclo nos próximos cinco anos, provavelmente veremos nos próximos dez”, disse o presidente-executivo da maior petroquímica da América Latina, Roberto Ramos, em entrevista a jornalistas após divulgar prejuízo bilionário no quarto trimestre do ano passado.

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“Precisamos reduzir nossa exposição à nafta e substituí-la por etano, seja o produzido pela Petrobras nos campos offshore, mas também via mistura de etano na nafta”, disse o executivo, citando que o custo do etano é de US$250 a tonelada enquanto o da nafta está em US$650.

O plano da Braskem foi iniciado com o anúncio mais cedo de que a empresa vai estudar a ampliação de capacidade do polo petroquímico de Duque de Caxias (RJ) com o uso de etano a ser fornecido pela Petrobras, uma negociação que Ramos afirmou que está nos “estágios finais” com a estatal.

Além da central de Duque de Caxias, a única da Braskem no Brasil a lidar com etano sem mistura, a estratégia também inclui aumentar a proporção do gás na combinação com nafta atualmente usado em instalações do grupo na Bahia e no Rio Grande do Sul, disse o executivo. A expectativa é aumentar essa mistura de 10% de etano para 20%.

“Portanto, vamos buscar chegar em todos os nossos fornos que craqueiam nafta a uma mistura de 20% de etano ou mais ainda com propano… isso nos dará um diferencial competitivo maior e margens maiores com muito pouco ou nenhum investimento”, disse Ramos, sem dar detalhes sobre as economias de custos ou margens esperadas nos próximos anos com a estratégia.

Defesa comercial

A outra perna da estratégia da Braskem para enfrentar o período desfavorável para a indústria petroquímica global é pressionar o governo federal por medidas de proteção contra o que chama de “inundação” de produtos dos Estados Unidos e da China no Brasil.

Ramos afirmou que a Braskem espera convencer o governo a manter para além deste ano a elevação da tarifa de importação de resinas plásticas e outros produtos petroquímicos de 12,6% para 20% que foi decidida em 2024.

“Estamos trabalhando para que medida possa ser replicada nos próximos anos. O mercado está sendo inundado por produto americano, no caso do polietileno, e polipropileno chinês”, disse Ramos, citando déficit na balança comercial da indústria química brasileira no ano passado de cerca de US$50 bilhões.

A empresa também tenta a aprovação de processos antidumping também contra EUA e China, mas ainda “não temos visualização sobre quando vai surgir efeito”, disse o executivo.

Mercado

Para a demanda por produtos petroquímicos no Brasil este ano, a expectativa da Braskem é de estabilidade sobre 2024, apesar dos registros de janeiro terem indicado um desempenho melhor que o verificado um ano antes, disse o presidente da Braskem.

“Não temos esperanças de uma grande revolução que implique em uma demanda muito maior que nos permita usar mais de nossa capacidade”, disse Ramos, citando que a Braskem está operando a 70% da capacidade em nafta e a 60% nas instalações de polipropileno.

“Ainda estamos vendo 2025 como ano ‘flat’ (estável) no Brasil. E no exterior nossa maior relevância é o polipropileno nos EUA, que está difícil de saber o que vai acontecer”, disse Ramos.

“Estou cauteloso sobre EUA, mas tenho esperança que vamos conseguir aumentar a penetração de plástico verde nos EUA, onde vendemos apenas 3 mil toneladas no ano passado”, acrescentou, citando o plástico derivado de etanol de cana-de-açúcar e que é produzido em instalações no Rio Grande do Sul.

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