‘Tarifaço’ de Trump: Brasil será um dos países mais afetados na América Latina, vê Moody’s Analytics

O Brasil está entre as economias da América Latina que enfrentarão as tarifas mais altas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirma a Moody’s Analytics. O México também foi apontado como um dos principais alvos das novas taxas.

“Esperamos retaliação na mesma moeda”, disse a chefe de Economia da América Latina da Moody’s, Jesse Rogers.

As tarifas de 25% sobre todas as importações sobre o aço e o alumínio, anunciadas para entrarem em vigor em março, adicionam incerteza ao cenário econômico.

O Brasil e o México são a segunda e a terceira maiores fontes de importação de aço para os EUA, respectivamente. “Embora as tarifas sejam dolorosas para os produtores locais de aço — o México envia quase 90% de suas exportações de aço para os EUA, enquanto os EUA é o destino de pouco menos de 50% das exportações brasileiras de aço —, não esperamos grandes impactos em toda a economia”.

No caso específico do Brasil, Rogers diz que, apesar de os norte-americanos serem o mercado de exportação de aço mais importante do país, a maior parte da produção brasileira de aço é destinada ao consumo interno. “Não é absurdo pensar que as exportações de aço com preços fora dos EUA possam encontrar um lugar em outro lugar”, afirma.

O mais preocupante, segundo a chefe de Economia da América Latina da Moody’s, será o impacto que o setor produtivo brasileiro pode sofrer com a queda da demanda global, especialmente diante da desaceleração econômica na China.

Durante a primeira guerra comercial entre EUA e China, a América Latina se beneficiou ao suprir a demanda chinesa por commodities, como ocorreu com a soja brasileira.

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No entanto, desta vez, os efeitos podem ser menos expressivos, uma vez que a transformação alimentar na China já aconteceu e o crescimento da demanda por produtos agropecuários tende a ser mais contido. “Produtores agrícolas como Brasil, Argentina e Chile lutarão com a desaceleração da economia chinesa”, diz.

Rogers ainda destaca que o governo de Trump questionou as tentativas do Brasil de encontrar alternativas ao dólar americano para o comércio internacional. O renminbi chinês seria a moeda mais provável para um sistema de pagamentos alternativo, mas essas iniciativas ainda enfrentam desafios — como a dependência do sistema global de mensagens interbancárias SWIFT.

Segundo a Moody’s, as tarifas de Trump serão aplicadas gradualmente ao longo de 2025, atingindo o pico no final do ano e permanecendo nesse patamar até o final de 2026.

No entanto, a pressão sobre a economia norte-americana pode levar o governo do país a rever as medidas, especialmente em relação ao México e a outros países latino-americanos, devido aos impactos negativos na economia global.

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