Telefônica Brasil (VIVT3) recua 6% após balanço ‘não tão bom quanto o esperado’; veja a indicação de analistas

As ações da Telefônica Brasil (VIVT3), dona da Vivo, se destacam do lado negativo do Ibovespa (IBOV) no pregão desta quarta-feira (26), repercutindo o relatório de resultados do quarto trimestre de 2024.

A companhia de telecomunicações registrou lucro líquido de R$ 1,76 bilhão no período, um crescimento de 10,1% em relação ao mesmo período de 2023 — dentro das expectativas do mercado.

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O Ebitda subiu 7,8% ano a ano, para R$ 6,2 bilhões nos meses de outubro a dezembro, com margem Ebitda estável.

As ações da Vivo caíam 6,23%, cotadas a R$ 50,16, às 14h38 (horário de Brasília). Acompanhe o tempo real.

Para Daniel Federle, do Bradesco BBI, e Flávia Meireles, da Ágora Investimentos, os números não vieram tão bons quanto o esperado. Embora receita, Ebitda e lucro líquido tenham superado o consenso, os analistas pontuam que os fatores por trás deles não foram ideais.

“A surpresa positiva na receita foi devido a uma combinação de uma perda de 1% na receita móvel, que desacelerou mais rápido do que o esperado, e uma alta substancial e além das expectativas na receita digital B2B (empresa para empresa), que é mais volátil”, dizem.

Os analistas incorporaram os resultados reportados, bem como as sinergias de concessão, e mantém recomendação de compra e preço-alvo inalterado em R$ 60, o que implica um retorno total de 20%, sendo 12% potencial valorização da ação e 8% de dividend yield (retorno de dividendos).

Migração de concessão da Telefônica Brasil

Um ponto que chamou atenção dos analistas foi a divulgação, pela primeira vez, dos investimentos necessários para o processo de migração da concessão — um valor presente líquido de R$ 4,5 bilhões. A companhia visa migrar do modelo de concessão para o regime privado (de autorização).

Na avaliação do BTG Pactual, os potenciais benefícios incluem a migração de 1,2 milhão de clientes de sua rede de cobre para outras tecnologias, melhorando a qualidade do serviço, reduzindo o churn (taxa de cancelamento) e criando oportunidades de cross-sell (vendas cruzadas), que podem impulsionar o crescimento da receita média por usuário.

Além disso, a desativação e venda de 120 mil toneladas de cobre devem gerar receitas extraordinárias e reduzir custos, incluindo despesas menores com aluguel de postes, avalia Carlos Sequeira e equipe.

A empresa também está liberando 50% de seus 1.900 imóveis, seja para venda ou rescisão de contratos de locação, reduzindo custos relacionados à infraestrutura (energia, IPTU, manutenção).

“Reforçamos o que destacamos anteriormente — estimamos um valor presente líquido positivo da migração da concessão entre R$ 2,5-3 bilhões”.

Para investidores que buscam ações mais defensivas, a Vivo é uma opção sólida, especialmente em um mercado mais fraco, diz o BTG. Os analistas dizem que o setor de telecomunicações oferece modelos de negócios estáveis, forte posicionamento competitivo, geração robusta de caixa e retornos expressivos para os acionistas.

A recomendação do banco é de compra, com preço-alvo de R$ 62.

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