Existe luz no fim do túnel? Menin, fundador da MRV e Inter, fala em “consciência fiscal coletiva”

A Selic mais alta acende o sinal de alerta para o crescimento das empresas brasileiras. Para Rubens Menin, fundador da MRV e do Banco Inter, a queda dos juros só virá quando a “consciência fiscal” for discutida amplamente.

O empresário, que esteve no BTG CEO Conference 2025 nesta quarta-feira (26), avaliou que a sociedade como um todo deve estar engajada e discutir a questão fiscal como uma prioridade, uma vez que ela tem dificultado a visão do mercado de um crescimento sustentável do país.

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“A reforma da previdência só aconteceu quando toda a sociedade se dispôs a discutir. Por isso, acredito que discutir a consciência fiscal seja importante. O fiscal já melhorou no Brasil, mas ainda precisamos de mais”, disse Menin. “Existe uma luz no fim do túnel e nós precisamos achar”.

O fundador da MRV e do Banco Inter ainda avaliou que a incerteza para 2025 ainda é grande e disse que até os economistas estão com dificuldade de entender para que caminho o Brasil deve seguir, vide as primeiras projeções do Focus no início do 2024 e as do último mês do ano.

As mais recentes projeções dos economistas ouvidos pelo Banco Central no Boletim Focus apontam para um juro de 15% até o final de 2025, motivado principalmente pela inflação, que está acima da meta estabelecida pelo BC.

No painel também estavam presentes Carlos Sanchez, presidente do conselho Grupo NC, Ricardo Faria, presidente do conselho da Granja Faria e Rubens Ometto, fundador e sócio controlador da Cosan. A conversa foi mediada pelo André Esteves, presidente do conselho e sócio do BTG Pactual.

Ometto, da Cosan, também destacou que os juros mais altos acabam acomodando as pessoas e empresas brasileiras que deixam seu dinheiro parado nos títulos de renda fixa que geram altos prêmios com uma Selic no patamar em que está, pode oferecer. “Os juros precisam estar mais baixos para o dinheiro circular”, avaliou.

Esteves, por sua vez, destacou os desafios e oportunidades do cenário econômico brasileiro, ressaltando a importância da resiliência empresarial diante das incertezas políticas e fiscais.

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O banqueiro reconheceu que o país atravessa um momento de instabilidade, com a taxa Selic podendo chegar a 14,25% e a inflação acima da meta, além das indefinições sobre o cenário eleitoral de 2026. No entanto, ele lembrou que, historicamente, o Brasil já enfrentou desafios semelhantes e que a força do empreendedorismo continua sendo um diferencial.

Para ele, o pessimismo atual pode ser um reflexo do amadurecimento do debate econômico. “Há 10 ou 20 anos, uma inflação de 5,5% seria um enorme sucesso. Juros de 7% eram a normalidade. E a discussão sobre déficit era restrita aos economistas, não uma preocupação da sociedade”, afirmou Esteves.

Apesar das dificuldades, ele acredita que o país tem condições de evoluir para um ambiente de negócios mais previsível, impulsionado por avanços em escala e tecnologia.

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