“Revolução”: conversamos com Caio Jacob, sócio-fundador da 30e, sobre shows e turnês no Brasil

Caio Jacob, sócio-fundador da produtora 30e
Créditos: Acervo pessoal

É sabido e notório que o mercado de shows no mundo inteiro foi atingido diretamente pela pandemia e, naturalmente, aqui no Brasil não seria diferente.

Quando o lockdown chegou em 2020 e nós, amantes da música, não tínhamos mais oportunidades de ver bandas e artistas solo em ação nos palcos, tudo parecia estar de cabeça para baixo, com as lives como uma espécie de “salvação”, ainda que o elemento humano estivesse afastado por conta das telas.

Graças às vacinas, as coisas foram voltando ao normal e o mercado do entretenimento respondeu com força, proporcionando alguns dos maiores espetáculos, turnês e eventos especiais que vimos nas últimas décadas.

Nascimento da produtora 30e no Brasil

É justamente nesse contexto que nasce a produtora 30e aqui no Brasil, tendo como objetivo maior mudar a forma de lidar com os shows e as excursões e aproximar artistas de fãs como poucos vinham fazendo em nosso país.

Entre tantos destaques, vieram as versões brasileiras de franquias como o Knotfest e turnês como a aclamada Titãs Encontro, que colocou todos os membros remanescentes dos Titãs lado a lado para multidões que lotaram estádios.

Para falar sobre tudo isso, o Tenho Mais Discos Que Amigos! bateu um papo com Caio Jacob, sócio-fundador da 30e e Vice-Presidente Global de Turnês e Festivais na empresa. A partir da conversa, dá para entender como o grupo chegou até aqui e para onde pretende ir nos próximos anos.

“Revolução” e Sonho antigo

Como um projeto de várias mãos, a 30e é resultado de um encontro entre caio e Pepeu Corrêa, sócio-fundador e CEO da empresa. Ao falar sobre as origens, Caio nos contou:

“A 30e nasceu com um sonho antigo do Pepeu Correa (sócio também fundador e CEO), que me convidou em plena pandemia pra gente criar o que hoje é a 30e, quarta maior empresa da América do Sul em bilheteria e número 1 em venda de ingressos. A 30e nasceu com o principal objetivo de criar uma revolução nesse mercado, era necessário, as oportunidades estavam disponíveis só bastava a gente ter coragem e disposição. Nosso primeiro show anunciado foi o Knotfest, festival do Slipknot, ou seja, a empresa já nasce grande, né? Sem saber se esse show ia, realmente, acontecer, acabou sendo o último do ano de 2021 depois que abriu a porteira pós pandemia.

A gente sabia da força que viria, acho que a gente, mais do que ninguém, acreditava nessa força, não é à toa que usamos todo esse tempo pra estruturar, organizar a casa, montar um time e sem passivo nenhum com a grande pausa do mercado (que foi o último a voltar), chegamos com tudo quando abriu!

Bring Me The Horizon no Allianz Parque

Para o público entender os termos técnicos, também perguntamos sobre qual é o papel de Caio na empresa, e ele nos contou:

“Meu papel é fazer o ‘booking’ (marcação e contratação) e ser responsável pela grande maioria desses shows que fazemos pelo país. Eu e Pepeu conseguimos nos dividir muito bem nisso, a gente se complementa bastante e temos opiniões muito parecidas sobre o que acreditamos. Hoje, o internacional é da minha responsabilidade e tenho um desafio maravilhoso, que é trazer novidade pra cá, criar novos formatos, inovar, entregar além do que a gente pode, pesquisar, olhar pra tendências, e tudo isso fechando com esses inúmeros artistas que já passaram pela 30e, que passam por Kendrick Lamar, Mariah Carey, Twenty One Pilots, The Killers, Slipknot, Bring Me The Horizon, System of a Down, Ateez, entre muitos outros.”

Bring Me The Horizon no Allianz Parque
Créditos: @anendfor

Diferenciais e mapeamento de oportunidades

É claro que essas coisas todas não surgem facilmente, e mesmo com as oportunidades disponíveis no mercado, não é todo mundo que está com o radar ligado e trabalha em cima delas.

Quando fala sobre o que a 30e fez de diferente, Caio ressalta o espaço para inovação:

“Desde o início, entendemos que havia um espaço para inovação no mercado de entretenimento ao vivo no Brasil. Acreditamos que grandes revoluções acontecem de 30 em 30 anos e entendemos que o momento era oportuno. O público estava sedento por novas experiências, principalmente após a pandemia e percebemos que poderíamos trazer um olhar diferenciado, tanto na curadoria artística quanto na experiência do fã. Não queríamos apenas produzir eventos, mas criar momentos de felicidade que ficassem na memória das pessoas. Com essa mentalidade, apostamos em formatos inéditos, turnês estratégicas e festivais que conectassem diferentes gerações e nichos musicais, sempre buscando elevar o nível da entrega e entender o que realmente o fã procura.

É muito amor envolvido em tudo que fazem. Trabalhamos com um time que respira música e entende a importância de cada detalhe, é muito amor envolvido em tudo que fazem — da escolha do line-up à experiência imersiva no evento. Outro ponto essencial é a nossa proximidade com os fãs, da barricada pra fora, nosso compromisso com eles eu diria que é um grande motivo pelo qual a 30e existe, entender e cuidar do público faz toda diferença no dia a dia.”

Knotfest Brasil com Slipknot
Créditos: @flashbang / @30ebr

I Wanna Be Tour e a viagem pela nostalgia

Um dos grandes trunfos dos espetáculos ao vivo hoje em dia, aqui e lá fora, é abordar a nostalgia com criatividade.

No Brasil, a 30e fez isso através da criação da I Wanna Be Tour, festival itinerante que conta com gigantes do Emo e do Pop Punk, tendo trazido nomes como Simple Plan, The Used e A Day To Remember ao Brasil na sua primeira edição em 2024.

Para 2025, o line-up já está anunciado com Fall Out Boy, Good Charlotte, Yellowcard e mais, e nós perguntamos sobre o projeto para Caio, que está intimamente ligado ao seu desenvolvimento:

Como o line-up é construído?

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Uma publicação compartilhada por I Wanna Be Tour (@iwannabe.tour)

É claro que a pergunta de um milhão de dólares gira em torno do line-up, e no caso de um festival com edições seguidas, há sempre um desafio de superar o ano anterior.

Como nós acompanhamos de perto após a primeira edição da IWBT, o público comprou a ideia do evento e elevou as expectativas para níveis altíssimos, misturando vontade com empolgação e pensando em algumas das principais estrelas globais.

Ao falar sobre a montagem do line-up, Caio falou sobre o equilíbrio entre a vontade de trazer certos artistas, a viabilidade para tal e estratégias:

“Esse é um dos maiores desafios que a gente enfrenta. A construção de um line-up é sempre um equilíbrio entre desejo, viabilidade e estratégia. Sabemos que o público tem as suas bandas dos sonhos; acredite, nós também temos, mas temos que trabalhar dentro da realidade do mercado, das turnês disponíveis e do momento de cada artista. O segredo é encontrar um equilíbrio que mantenha a essência do projeto, trazendo nomes icônicos, novidades e algumas surpresas que façam sentido dentro do contexto do evento. A expectativa do público é um termômetro essencial, mas a curadoria também precisa ser inteligente para criar uma experiência completa e que possa ter uma continuidade, porque é isso que a gente busca. Trazer o Fall Out Boy foi um grande sonho que tínhamos quando iniciamos o projeto, junto do Good Charlotte que não vem ao Brasil há mais de 20 anos, fora todas as outras bandas que eu sou fã pessoalmente e que fazem com que essa seja uma das turnês mais legais de se fazer.”

NX Zero na I Wanna Be Tour

De forma prática, ele também fez um relato sobre como se dá o processo de montagem de um evento como esse:

“Existe um trabalho muito grande nos bastidores. A decisão de uma banda vir ao Brasil envolve uma grande análise de viabilidade da nossa parte como Promotores e também da parte do artista em ser realista com ele mesmo. A Logística, o calendário de datas durante o ano, os custos que giram em torno do projeto, a força do público para engajar e comprar ingressos e até mesmo questões artísticas pessoais. Muitas vezes, um artista quer vir, mas o período não bate com a agenda global ou com outros compromissos. Além disso, há negociações com os agentes, managers e parceiros, que fazem parte de toda essa dinâmica de relações, transparência e credibilidade para viabilizar a estrutura de um evento que atenda às exigências e expectativas tanto do artista quanto do público. É um processo complexo, mas extremamente estratégico e feito artesanalmente. É sem dúvida a parte que eu mais gosto e faço questão de ter minha mão.”

Curiosidades e motivo para mudança de datas

É claro que não deixaríamos a oportunidade de saber a respeito de algumas curiosidades passar batido, e quando perguntamos especificamente sobre a I Wanna Be Tour, da qual o TMDQA! é Parceiro de Mídia Oficial, Caio Jacob nos falou sobre por que o festival teve que mudar de data em 2025:

Reconhecimento Global e Conexões de Mercado

Recentemente, Caio foi indicado ao prêmio de Promotor do Ano no aclamado ILMC, um dos eventos mais importantes da música ao vivo no planeta. Nas redes sociais, ele mesmo revelou que o frequentava como espectador com o objetivo de aprender cada vez mais sobre o tema e fazer conexões.

Agora entre os indicados, celebrou o que chamou de “honra gigantesca”:

O mote do evento em Londres esse ano é um grande navio, como se pessoas do mercado estivessem navegando pelos mares da música ao vivo em um cruzeiro e a programação tivesse faróis para orientar todo mundo.

Como em praticamente todas as áreas da música hoje em dia, o famoso “networking” é fundamental, e Caio falou sobre esses encontros:

“As conexões são fundamentais nesse mercado e a credibilidade também. Não adianta esses dois não caminharem juntos. Estar presente nesses eventos internacionais não é só uma questão de visibilidade, mas de aprendizado e relacionamento. Muitas das oportunidades que trazemos ao Brasil começam nessas conversas, nesses encontros. A música ao vivo é um ecossistema global, e estar conectado com o que acontece lá fora nos permite trazer experiências mais ricas e inovadoras para o público brasileiro.”

Mariah Carey em São Paulo
Créditos: @ju / @pridiabr

Futuro do Mercado e da 30e

Para finalizar, pedimos um panorama sobre como Caio enxerga o mercado da música ao vivo daqui pra frente:

“A música ao vivo está sempre em evolução. O que funciona hoje pode não funcionar amanhã, e por isso é essencial estar atento às mudanças de comportamento do público e às novas tendências. A 30e já trabalha com essa mentalidade de adaptação e inovação, buscando formatos diferenciados, explorando novas formas de engajamento e trazendo experiências diferenciadas para os fãs. O futuro passa por essa reinvenção constante e é o que sempre estamos buscando na nossa entrega e no dia a dia.”

Sobre o futuro da sua companhia, ele mantém segredo mas deixa claro que o Brasil ainda será palco para vários grandes espetáculos assinados pela 30e nos próximos meses:

“Sempre temos coisas incríveis no pipeline! Não posso revelar tudo ainda, mas posso garantir que vem muita coisa grande por aí, que vai além do imaginário, incluindo novas turnês e projetos inéditos. O público pode esperar surpresas e experiências que vão elevar ainda mais o nível do entretenimento ao vivo no Brasil.”

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