A revolução do setor sucroalcooleiro nos anos 2000: IPO’s, fusões e crise

A primeira década dos anos 2000 testemunhou a troca de comando no setor sucroalcooleiro brasileiro, com empresas familiares de muitas gerações sendo adquiridas pelo capital institucional nacional ou estrangeiro, com todas as consequências — positivas ou negativas — que isso acarretou.

Essa foi uma época de grandes oportunidades, surfando a onda da euforia do mercado de capitais inundado pelas ofertas públicas iniciais (IPOs), e o setor não ficou de fora.

Em paralelo à troca de mãos no comando das empresas, enxergou-se a oportunidade de buscar, no mercado, capital barato para o desenvolvimento de projetos de expansão. Foi nessa época que o setor sucroalcooleiro presenciou o maior volume de negócios de consolidação.

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As operações de abertura de capital da Cosan (CSAN3) (2005) e da São Martinho (SMTO3) (2007) demonstraram que o setor sucroalcooleiro poderia ser destinatário dos investimentos nacionais e estrangeiros em captação por meio abertura de capital, com sucessos nas bolsas de valores brasileira e americana, como a abertura da Cosan Ltd. na NYSE, em 2007.

Utilizando-se de capital de risco barato, ficou cada vez mais fácil adquirir empresas que, mesmo estáveis, já se encontravam sob o comando da segunda ou da terceira geração. O objetivo era a formação de clusters visando a aumentar escala e a reduzir custos.

Trabalho em equipe

Em alguns casos, essas maiores protagonistas chegaram a agir em conjunto. Um exemplo desse movimento foi a aquisição, em 2007, da Usina Santa Luiza, localizada em Matão, no centro do Estado de São Paulo. Ela acabou sendo dividida entre São Martinho e Cosan, que estavam interessadas muito mais no ativo biológico e nos contratos de fornecimento do que nas próprias instalações.

A família que detinha a Santa Luiza já estava dividida em sete grupos. Com a negociação, cada um seguiu tratando de seus próprios negócios, sem a necessidade do gasto de energia que o comando dividido exigia de cada grupo.

No final de 2006, tomaram corpo as negociações de fusão das unidades industriais e agrícolas pertencentes à Usina Vale do Rosário e à Usina Santa Elisa. A união desses dois grupos resultaria, já em 2007, na maior capacidade de moagem de cana de açúcar no Brasil e uma das maiores do mundo.

O projeto propiciou a saída de grupos menores de acionistas, por meio de alavancagem no mercado financeiro, e a consolidação das usinas em uma só entidade — a Santelisa Vale, de titularidade de dois grupos familiares remanescentes.

Estes trilhariam o mesmo caminho de suas concorrentes e buscariam a abertura de capital em bolsa para, de um lado, quitar o endividamento gerado na aquisição das participações minoritárias e, de outro, fomentar os investimentos necessários para a consolidação do grupo como o maior do mundo em capacidade de moagem.

No entanto, no final de 2007 e início de 2008, o mundo foi abalado pela crise do subprime, o que praticamente paralisou o mercado de capitais, impossibilitando que a Santelisa Vale desse esse último passo, o que obrigou seus acionistas a uma drástica mudança de rumos.

 

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