Brasil tem 35% da população sem instrução ou sem o ensino fundamental completo, revela Censo

O Censo Demográfico 2022, divulgado pelo IBGE, revela avanços importantes na educação brasileira nas últimas duas décadas, mas também destaca desafios persistentes. A pesquisa mostra que a proporção da população com ensino superior completo mais que dobrou, passando de 6,8% em 2000 para 18,4% em 2022.

Ao mesmo tempo, o percentual de pessoas sem instrução ou que não concluíram o ensino fundamental ainda é elevado, reduzindo de 63,2% para 35,2%. Esses números mostram avanços na educação, mas também indicam desigualdades persistentes no acesso à educação de qualidade e no ensino superior.

Aumento da escolaridade e seus reflexos no mercado de trabalho

A melhoria na escolaridade da população tem refletido positivamente no mercado de trabalho. Com mais brasileiros completando o ensino médio e ingressando no ensino superior, a demanda por profissionais qualificados aumentou, impulsionando setores que exigem maior especialização.

O percentual da população com nível médio completo e superior incompleto cresceu de 16,3% para 32,2%, enquanto os que concluíram apenas o ensino fundamental subiram de 12,8% para 14%.

Queda na frequência escolar de jovens e seus impactos

Apesar dos avanços, a frequência escolar entre jovens de 18 a 24 anos apresentou queda, passando de 31,3% em 2000 para 27,7% em 2022.

Especialistas relacionam essa redução com a necessidade de entrada precoce no mercado de trabalho e a falta de incentivos para a continuidade dos estudos após o ensino médio. A evasão escolar nesta faixa etária pode limitar a qualificação da mão de obra e impactar o crescimento econômico a longo prazo.

Desigualdade racial no acesso à educação superior

O Censo 2022 também destacou que, embora o ensino superior tenha se expandido para todos os grupos raciais, a desigualdade continua a ser um desafio.

A população preta com nível superior completo aumentou 5,8 vezes entre 2000 e 2022, passando de 2,1% para 11,7%. Para os pardos, o crescimento foi de 5,2 vezes, alcançando 12,3%. No entanto, essas taxas ainda são inferiores às da população branca, que subiu de 9,9% para 25,8%.

Essa desigualdade racial também é refletida na distribuição de cursos superiores. Por exemplo, 75,5% dos graduados em Medicina eram brancos, enquanto apenas 2,8% eram pretos. Em contrapartida, a graduação em Serviço Social apresenta uma distribuição mais equilibrada, com 47,2% de brancos, 40,2% de pardos e 11,8% de pretos.

Avanço feminino na educação superior

Outro dado importante do Censo 2022 é a maior presença das mulheres no ensino superior. Em 2022, 20,7% das mulheres com 25 anos ou mais haviam concluído o ensino superior, contra 15,8% dos homens.

Esse avanço reflete a crescente inserção das mulheres nas universidades e em carreiras de alta qualificação.

Expansão da escolarização infantil e desafios para a educação básica

O Censo também destacou a ampliação da escolarização infantil no Brasil. A taxa de frequência de crianças de 0 a 3 anos subiu de 9,4% em 2000 para 33,9% em 2022, enquanto para a faixa etária de 4 a 5 anos, a frequência aumentou de 51,4% para 86,7%.

Contudo, a meta de universalização da educação infantil, prevista no Plano Nacional de Educação (PNE), ainda não foi atingida em todo o país. A meta estabelece 50% de frequência para crianças de 0 a 3 anos e 100% para aquelas entre 4 e 5 anos.

Desafios na educação infantil e metas do PNE

Apenas 646 dos 5.570 municípios brasileiros atingiram a meta de frequência escolar para crianças de 0 a 3 anos, enquanto 325 municípios registraram frequência abaixo de 10%, o que evidencia o desafio de expandir a educação infantil no Brasil.

Os dados do Censo Demográfico 2022: Educação – Resultados Preliminares da Amostra, divulgados pelo IBGE, são um reflexo dos avanços e das dificuldades que o país enfrenta para garantir uma educação de qualidade e inclusiva para todos os brasileiros.

O lançamento oficial dos resultados ocorrerá no Centro Cultural da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, no dia 26 de fevereiro de 2025.

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