Designer-chefe da Mercedes diz que telas grandes não definem luxo

No passado, um carro de luxo era definido pela qualidade dos materiais, a atenção aos detalhes no acabamento e o desempenho do motor sob o capô. No entanto, a tendência atual entre os fabricantes é instalar telas cada vez maiores no interior dos veículos.

Mas será que isso realmente representa um avanço em luxo e tecnologia? Em entrevista à ABC News, Gorden Wagener, diretor de design da Mercedes-Benz, afirmou que a proliferação de telas nos automóveis já se tornou algo comum. “Hoje em dia, todos os carros têm um monitor grande instalado”, comentou o executivo.

Wagener é o responsável pelo conceito MBUX Hyperscreen de 56 polegadas e do painel com três telas integradas do modelo EQS. No entanto, ele enfatiza que luxo vai além do tamanho das telas e que há desafios na adoção excessiva desses displays nos veículos. Apesar de o Hyperscreen continuar no portfólio, o Mercedes-Benz Classe S passará por uma renovação no próximo ano e adotará o layout de tela utilizado no EQS.

Painel Hyperscreen da Mercedes-Benz
MBUX Hyperscreen [Divulgação]

Os problemas das telas gigantes

Entre os desafios das telas superdimensionadas, Wagener destaca o excesso de marcas de impressões digitais, que comprometem a aparência do painel, além das molduras espessas que prejudicam a estética.

Outro ponto crítico é a substituição de botões físicos por comandos exclusivamente digitais, tornando funções essenciais — como os ajustes do ar-condicionado — dependentes da central multimídia. Isso pode comprometer a praticidade e desviar a atenção do motorista durante a condução.

Além do uso excessivo de telas, Wagener também criticou a tendência de iluminação ambiente exagerada nos carros modernos. Segundo ele, a iluminação colorida e ajustável de alguns modelos transforma o interior dos veículos em algo semelhante a uma discoteca dos anos 1990.

A IA no design de carros

Quando questionado sobre o papel da inteligência artificial no design automotivo, Wagener reconheceu que a tecnologia está evoluindo rapidamente e prevê que, em dez anos, grande parte dos projetos da Mercedes-Benz poderá ser comandada por IA, tornando os designers obsoletos.

“Meu sucessor será uma máquina – e muito mais barata do que o meu salário”, brincou o executivo.

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